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  PARA PENSAR  
 
 

Direito dos Pais


1. Pai (pai aqui foi utilizado como pai e/ ou mãe – pais, enfim.) pode dizer não, sem ter que dar duzentas explicações (bastam duas ou três), quando sentir que o filho quer algo que não está dentro das suas possibilidades (ter muito dinheiro e gastar como o filho quer não é obrigação de pai; dever de pai é amar, proteger, dar educação, cuidar da saúde física e mental; ser justo, verdadeiro, coerente e disponível e também decidir como quer utilizar o que ganhou com o seu trabalho).

2. Pai pode dizer não – sem medo de errar, frustrar ou traumatizar até uma única vez – quando o filho estiver fazendo algo que prejudica a outros, fere a lei, a ética, a saúde, ou causa mal a qualquer ser vivo. E essa será, no caso, a única explicação necessária. Depois é AGIR!

3. Pai pode ficar cansado, algumas vezes, e querer dormir, nos domingos e feriados, até um pouquinho mais tarde (lógico, tendo visto que o pimpolho está alimentado, limpo, sequinho e cheio de brinquedos a sua volta); não o dia todo, nem até o meio-dia, mas só até recompor-se do estresse do trabalho, do medo de perder emprego, do medo de a violência atingir sua família, do medo da recessão etc., etc., e, estar, então, em condições de brincar e levar para passear a filharada...

4. Pai pode dizer que não pode comer fast-food a toda hora, porque faz mal, e não arredar pé de sua posição, exceto em situações especiais e a seu critério.

5. Pai tem direito de namorar (depois de – como sempre faz, nem precisa dizer – ter deixado os filhos cuidados, alimentados, babados de tanto beijo, ótimos, enfim).

6. Pai tem direito de proibir filha pequena de usar sapato alto. Sem medo de errar, nem de causar traumas. O trauma pode aparecer é na coluna dos filhos, cujos pais ficam com medo de dizer não.

7. Pai tem direito de exigir que os filhos estudem direito, cumpram as tarefas que a escola passou e, só depois de tudo muito bem-feitinho, brincar, ver TV etc., porque pai sabe que estudar é fundamental e fim de papo!

8. Pai tem direito de conversar com os filhos sobre quaisquer assuntos que considere fundamentais para a educação e a orientação dos filhos – tais como uso de drogas, sexualidade, estudos etc. Mesmo que o filho diga que não quer, ou que já sabe tudo, o pai pode conversar e o filho deve ouvir. Claro, procuremos a melhor forma de fazê-lo, para surtir efeito...

9. Pai pode avisar ao filho que não espere ganhar viagens ao exterior, nem carro, se passar na faculdade. Pai que tem direitos sabe que não é obrigado a proporcionar luxos e que, pelo contrário, pode ser bem danoso para seu filho não ter que lutar por nada, ou ser premiado por algo que só traz benefícios a ele próprio (passar de ano, por exemplo).

10. Pai que tem direitos pode cortar a mesada, a Internet, a TV, ou o que julgar mais apropriado, se os filhos não estiverem cumprindo os seus deveres.

11. Pai tem direito de estar presente na festa de aniversário que ele próprio organizou para o filho adolescente, porque sabe que “mico” é ter medo de filho.

12. Pai tem direito de estar na festa do filho também porque, claro, ele não vai ficar “espionando” ninguém, nem tentando ser “coleguinha” dos amigos do filho, nem ficar contando casos, piadas ou “paquerando” as gatinhas. Pai legal sabe qual é o seu papel. Ele vai estar lá com a preocupação de que tudo corra bem, de que não haja problema algum, nem brigas, nem drogas etc. E também porque ele sabe que quem não deve, não teme.

13. Quarto de filho não é cofre, nem local de acesso proibido. Entrar no quarto do filho pode; pai que tem direitos não entra sem bater, não invade, porque é educado e ensina o mesmo aos filhos – mas pode entrar, sim, porque faz parte da casa em que ele é o responsável, como também o é, em última análise, por tudo que ocorre com os filhos até os 18 anos ou enquanto dependam dele. Além do mais, pai legal entra para ver o filhão, porque é presente, porque gosta dele e porque sabe que o filho não tem nada a esconder, nem o direito de proibir algo ao seu pai, que o ama, sustenta e orienta. Isso não constitui “invasão de privacidade”, como os adolescentes hoje aprenderam a considerar.

14. Pai tem o direito de orientar sexual e moralmente os filhos, alertando-os para o que de bom e de mau pode ocorrer com quem não usa sua liberdade com responsabilidade (etc., etc., etc.).

15. Pai tem o direito de decidir se quer ter direitos e deveres ou apenas deveres. E, a partir daí, viver uma linda experiência de relacionamento e amor, ao educar e criar seus filhos para a cidadania e a produtividade ou tornar cada dia de sua vida um verdadeiro e infindável tormento. Sim, porque o pai que dá ao filho todos os direitos, e não exige em correspondência deveres e responsabilidades, vai ter filho assim pelo resto da vida... Afinal, eles vão adorar fazer tudo o que querem e ter a quem responsabilizar em seu lugar.

Fonte: Os direitos dos Pais
Construindo cidadãos em tempos de crise
TANIA ZAGURY

 

 

 

 

 

 
   
     

 

 

 
 
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